Esclarecimento sobre os acontecimentos desta segunda 21 de novembro de 2011

Caros lençoenses

Nesta segunda-feira, utilizando-se de forma abusiva de uma lei rechaçada por acordos internacionais firmados pelo Brasil, o presidente da Câmara Municipal de Lençóis Paulista deu voz de prisão contra mim, fazendo com que eu fosse levado por policiais, em viatura, até a delegacia de polícia. Desacato foi a absurda acusação, abuso de autoridade foi o fato.

Cheguei à Câmara Municipal, excepcionalmente cheia, e fui informado de que os vereadores se preparavam para atacar minha honra e meu partido com uma imagem, uma montagem que continha o meu rosto. Adiantei-me ao ataque, e ainda antes de iniciada a sessão, fui à frente do plenário e fiz um pronunciamento. Denunciei o que estava por acontecer, ataquei o baixo nível da intenção. Afirmei que esta não é a política do meu partido, o PSOL, que mesmo nos momentos mais tensos da mobilização contra a corrupção da câmara não fizemos ataques pessoais, não caluniamos nossos adversários políticos. Denunciei que esta atitude está ligada ao baixo nível da política lençoense, e que os vereadores, em vez de me difamar, deveriam cumprir com suas obrigações, investigar as despesas da casa, e cassar o vereador que tinha admitido na tribuna da câmara ter feito uso indevido do carro oficial. Declarei que nosso partido quer o debate político, e cansou de convidar os vereadores para um debate que eles, na prática, se recusaram a fazer. Antes de sair, Formigão (PSDB), líder da prefeita Bel na câmara, veio em minha direção com uma impressão da referida imagem, comprovando, diante dos olhos de todos, as intenções que eu tinha acabado de denunciar. Retirei-me logo em seguida, e fiquei do lado de fora do plenário.

Foi quando, sozinho, vi chegarem os carros da polícia. Assim que os policiais desceram do carro, puderam verificar que a situação era tranquila, não existindo motivo para medidas policiais. Cheguei a conversar com eles, amistosamente.

Voltando à entrada da câmara, ouvi meu nome sendo pronunciado pelo presidente da casa, Juruna (PTB), logo em seguida dando voz de prisão contra mim. Rapidamente, dirigi-me à mesa e exerci meu direito, dando voz de prisão em flagrante por abuso de autoridade contra o chefe da câmara. Arbitrariamente, fui eu levado na viatura, e não aquele que cometeu um ato contra minha dignidade, meus direitos, as leis brasileiras. Fui tirado do plenário pelos policiais, evidentemente revoltado e manifestando minha indignação. Há, certamente, vários vídeos em que cada palavra que digo aqui será comprovada.

É deprimente que aqueles que não cumprem com seu dever se utilizem de atitudes baixas e autoritárias para afirmar seu pequeno poder. É lamentável, também, constatar que o que ocorreu em Lençóis Paulista tem sido visto em diversas ocasiões dentro e fora de nosso país – aqueles que têm coragem de se levantar e lutar contra os absurdos praticados pelos governos são criminalizados. Governantes corruptos, despóticos, financiados pelos grandes responsáveis por toda a injustiça social e destruição ambiental que vemos todos os dias – estes se safam.

Esta prisão, como diz nosso caro Plínio, é daquelas que orgulham, pois deriva da coragem de lutar. Mais orgulho terei, entretanto, quando mais uma vez, sairmos às ruas e, coletivamente, dermos um basta à esta política suja e antidemocrática praticada ontem e hoje pela direita lençoense, brasileira e mundial.

Sugestões e contribuições ao Plano Municipal de Saneamento Básico

Documento elaborado para o processo de consultas sobre a elaboração do PMSB – LP.

Apresentamos aqui nossas sugestões e contribuições ao referido Plano, após estudo e debates sobre a versão disponibilizada para download pelo poder público.

1. Cobertura Vegetal e escoamento superficial

A cobertura vegetal tem grande importância para proteção dos recursos hídricos, especialmente na redução da velocidade de escoamento superficial – decisiva para a ocorrência de enchentes. Segundo o relatório apresentado, a cobertura vegetal em Lençóis Paulista apresenta números alarmantes. São apenas 5,1% de cobertura vegetal nativa, sendo apenas 2,6% de matas. Fato curioso, visto que o Código Florestal impõe Reserva Legal de 25% da área dos imóveis rurais.

Por conta disto, consideramos necessárias políticas para a reversão deste quadro, com objetivo de proteger os recursos hídricos. Propomos:

    • Criação de legislação municipal de meio ambiente, elaborada com ampla participação social, prevendo a recomposição das reservas legais no município, ampliação das APPs nos rios onde ocorrem enchentes, fiscalização intensa, manutenção de inventário ambiental e punição exemplar aos proprietários de imóveis rurais que não cumprem com o Código Florestal e a legislação municipal.
    • Criação de leis obrigando proprietários de imóveis rurais a construir e dar manutenção adequada a curvas de nível, visto que a declividade do relevo lençoense favorece a velocidade do escoamento superficial, contribuindo para a ocorrência de enchentes. Este assunto é tratado de forma vaga na página 287, necessitando de resoluções mais objetivas para sua efetivação.
    • Formação de equipe técnica concursada na Diretoria de Meio Ambiente, com a incumbência de implementar e fiscalizar o cumprimento da legislação ambiental, provocando órgãos estaduais e federais quando necessário. Esta equipe deve dar conta também de outras sugestões indicadas neste documento.

2. Qualidade e uso da água

Nossas expectativas quanto ao controle da qualidade da água não estão contempladas no relatório apresentado. Solicitamos incluir no Plano:

    • Análise semestral da água utilizada para consumo humano, agrícola e industrial no município, utilizando os parâmetros das tabelas 1, 2 e 3 da portaria 518 de 2004 do Ministério da Saúde. Ampla divulgação dos resultados. Datas de análise formalmente estabelecidas, fixadas e divulgadas.
    • Análise também semestral das águas dos aquíferos com área de recarga no município, com controle das substâncias listadas em HASSUDA 1990 (Aspectos qualitativos da infiltração da vinhaça da cana no aquífero Bauru), visto que a infiltração da vinhaça é prática comum no município, prática esta que compromete os reservatórios subterrâneos de água.
    • Esclarecimento público quanto aos 2 casos de contaminação listados pela CETESB no município.
    • Publicização dos dados de uso da água no município, com ampla divulgação semestral de relatórios sintéticos, para que a população tenha conhecimento de quem são os atores econômicos responsáveis pelo consumo da água em Lençóis Paulista, bem como sua contaminação/poluição.
    • Publicização dos relatórios de vazão e parâmetros analisados de efluentes industriais entregues à CETESB pelos grupos econômicos com atividade em Lençóis Paulista.
    • Identificação e catalogação de todas as descargas legais e ilegais de efluentes com destino nos cursos d’água ou infiltrados no solo do município.
    • Vistoria em instalações industriais e agroindustriais, com objetivo de identificação e combate a sistemas de descarga de efluentes com “bypass”, bem como outras práticas que signifiquem riscos aos recursos hídricos.
    • Restrição e controle do uso de agrotóxicos de forma objetiva e definida, observando todas as substâncias utilizadas nas culturas do município segundo inventário agronômico, protegendo os recursos hídricos e os trabalhadores expostos.

3. Sobre o Fundo Muncipal

Na página 177, encontramos a proposta para criação de um fundo municipal para custear as ações de recuperação da bacia, com recursos originários de percentual da conta de água.

Manifestamos aqui nossa total oposição a esta forma de financiamento. O cidadão comum não deve arcar com os custos sociais e ambientais gerados por entes econômicos determinados. As ações de recuperação da bacia devem ser pagas pelos mesmos agentes que a degradaram.

Sugerimos, para operacionalização desta proposta, cobrança de taxa pelo uso da água das médias e grandes empresas, e não das pessoas físicas. Esta taxa deve arcar com todos os custos de recuperação, planejamento e fiscalização ambientais, bem como compensar pelos custos gerados com o uso excessivo da água por parte das empresas.

Manifestamos também oposição a pagamento por serviços ambientais no caso de simples adequação à legislação vigente, bem como destinação de qualquer recurso público a proprietários de médias e grandes empresas e propriedades rurais. Este tipo de apoio deve ser destinado apenas a agricultores familiares e assentados da reforma agrária.

Reforçamos nossa posição de que a única forma de avançar em implantação de culturas perenes e sistemas agroflorestais é o incentivo à reforma agrária nas terras públicas do município, que somam 14% da área lençoense, segundo o professor emérito da USP Ariovaldo Umbelino de Oliveira. É necessária a ruptura com a lógica colonial implantada pelo agronegócio caracterizado pela monocultura, superexploração do trabalho, abuso dos agrotóxicos e pela grilagem (apropriação ilegal de terras).

4. Outras sugestões

    • Inclusão no plano da criação de canal de comunicação entre poder público e população, para receber denúncias de crimes ambientais.
    • Ampla divulgação de audiências públicas nos meios de comunicação locais, valendo o mesmo para as reuniões da Comissão Municipal de Defesa do Meio Ambiente.

Assinamos este documento

 

Rodolfo Augusto Monteiro Pelegrin

Paulo Rodrigues da Silva

Lucas Nogueira Baleche

Hermes Conrado Bottan

Rafael Castro Oliveira da Silva

Filipe Cardoso Franco

Fabiano Boldo

Humberto Agostinho Medolago

Viviane Kelly Dutra

Herivaldo Mota Santos

Rafael Guilherme de Sousa Cabreira

Luiz Otavio Salles Delgado

Fernando Lauria Darcie

Mayara Vieira de Souza

Rafael Correa Silva

Gabriel de Paulo Cochi

Henrique Lorenzetti Ribeiro de Sá

A farsa dos incentivos fiscais

Para os empresários, tudo. Para os trabalhadores, os impostos.

É comum na História do Brasil que, sob a desculpa de desenvolver a economia, governos destinem grandes volumes de recursos públicos para empresas privadas, frequentemente impactando a própria dívida pública brasileira.

Embora isto tenha acontecido em diversos momentos, nos últimos 20 anos esta prática adquiriu contornos diferentes, constituindo o que chamamos “guerra fiscal”, ou “guerra dos lugares” – um substituto precário de estratégias consistentes de desenvolvimento regional. Em busca de números de postos de trabalho, governantes estaduais e municipais iniciaram uma franca disputa pela instalação de empresas, na qual competem para ver quem dava mais dinheiro aos empresários.

Os resultados de tais práticas são bastante discutíveis: no Paraná, diversas indústrias foram atraídas para a Região Metropolitana de Curitiba. Os bolsões de pobreza, entretanto, continuam crescendo em volta da capital paranaense, o preço dos imóveis subiu, a violência aumentou, e Curitiba é hoje uma das cidades mais poluídas do Brasil, segundo a ONU.

É fato que grandes empreendimentos criam empregos, mas é igualmente certo que eles atraem para os lugares onde acontecem um número maior de novos moradores. Na construção da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, 70% dos empregados vieram de outras localidades. Miséria, violência, tráfico de drogas e exploração sexual cresceram num ritmo sem precedentes. Mais uma vez, os danos ambientais são gigantescos.

Atrasada e acrítica, a prefeita Bel (PSDB) enviou à Câmara Municipal um projeto de incentivos fiscais para empresas instaladas em Lençóis. Empresas industriais e comerciais receberão isenção total de alguns impostos municipais (ITBI e ISSQN), e isenção total por 10 anos de IPTU e das taxas cobradas pelo município, desde que aumentem o valor adicionado da cidade. Terão de volta ainda parte do ICMS que volta para Lençóis. Detalhe: não é para qualquer um – apenas empresas com valor adicionado acima de R$ 24 milhões por ano podem pleitear os benefícios.

Fica assim claro o compromisso de classe do governo tucano: àqueles que tem muito dinheiro, isenção de impostos. Para os comuns, que estão distantes de ter seus direitos sociais atendidos, e ainda se vêem impactados com enchentes, poluição e doenças decorrentes destas, a cobrança não para. O sistema tributário é usado para aumentar as desigualdades.

Não bastasse a injustiça configurada por tal medida, a prefeitura parece ignorar os fluxos migratórios criados por grandes empreendimentos, e, abrindo mão do incremento da receita de impostos que os investimentos trariam, o executivo condena o cidadão, necessariamente, a maiores filas nos postos de saúde, piores condições nas escolas, etc. A cidade pode muito bem crescer, mas deve crescer de forma organizada, com planejamento, e não segundo os interesses dos empresários.

É bastante evidente que Lençóis precisa gerar empregos, e atacar a concentração de renda e poder econômico (que fatalmente se expressa em poder político) hoje verificada. Não será, entretanto, com mais grandes empresas que este quadro será revertido. Reforma Agrária, redução da jornada de trabalho, contratações por concurso para suprir as necessidades dos cidadãos em saúde, educação e outros direitos, sindicatos sérios e fortes para fazer a luta econômica – estas sim são medidas consequentes para mudar a situação.

Bel (PSDB) não teceu uma palavra sequer quando seu partido inundou a região com pedágios, que aumentam os custos de vida para todos, e os custos de logística para as empresas. Agora, tenta competir com as outras localidades para receber o capital, sem se planejar adequadamente para os impactos que virão. Os empresários vão adorar, mas os custos ficarão com os cidadãos comuns.

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OBS: em nossa leiga avaliação, pode haver brechas para que empresas já instaladas na cidade, como LWART e Zilor, peçam os referidos incentivos fiscais. É possível que estejamos equivocados, mas vale a pena ficar atento.

Passeata contra a corrupção e pela democracia

Mensagem aberta a todos os lençoenses.

Car@s

Espero que tod@s estejam cientes do que vem ocorrendo na Câmara Municipal de Lençóis Paulista. Há uma série de fortíssimos indícios de irregularidades na administração do orçamento da Câmara, que chega a R$ 3 milhões anuais. As denúncias vão desde uso intensivo do veículo oficial para fins particulares, até favorecimento nos processos de contratações de empresas que prestam serviços à casa. O próprio presidente da Câmara, Juruna (PTB), declarou no jornal que contratou uma pessoa em cargo de confiança (sem concurso) com o objetivo de atender a interesses políticos de seu vice, Junior Ticianelli (DEM).

Quando estes fatos vieram a público, um grupo de 4 vereadores pediu a instalação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito), uma espécie de CPI do legislativo local. Sabendo disto, iniciamos uma mobilização para que a Câmara instalasse a comissão, e investigasse e explicasse publicamente o que ocorre lá dentro, algo que é seu dever constitucional.

Na primeira sessão em que seria votado o requerimento da CEI, ocupamos boa parte dos assentos da Câmara, e, pacífica e coletivamente, cobramos as devidas explicações. Pressionado, o presidente Juruna encerrou a sessão alegando um tumulto que não havia. Na sessão seguinte, o número de presentes aumentou bastante, e de forma curiosa, os vereadores aprovaram o requerimento da CEI num bloco de requerimentos – unanimemente e na frente das câmeras de TV, diga-se de passagem. Esta aprovação, entretanto, não foi considerada suficiente pelos vereadores para inciar as investigações, e foi feita no dia 18 uma nova votação, exigindo maioria dos vereadores para a instalação da CEI. Consideramos esta uma manobra antidemocrática e inconstitucional: no artigo 58, parágrafo 3, diz a constituição que a aprovação de comissões parlamentares de inquérito dependem apenas de requerimento de um terço dos membros da casa. Se o regimento interno da Câmara Municipal não é claro, ou se diz algo diferente disto, deve submeter-se à Constituição Federal, que lhe é superior. De qualquer forma, os vereadores submeteram o novo projeto a votação, e com um resultado de 4 favoráveis e 6 contrários (Adilson Acacio – PMDB, Adilson Bernardes – PSDC, Ailton Juruna – PTB, Formigão – PSDB, Nardeli – PV e Junior Ticianelli – DEM), engavetaram as investigações. Antes da votação, Jurura fez novas denúncias, sem entretanto propor investigá-las: isto se chama prevaricação (conhecendo irregularidades, autoridades tem o dever de investigá-las – e não apenas usá-las para justificar outras).

Não bastasse a manobra política/atentado jurídico, a sessão foi repleta de ingredientes próprios da política baixa e autoritária. Antes do início dos trabalhos, um grupo de vereadores (Adilson Bernades – PSDC, Junior Ticianelli – DEM e Formigão – PSDB) abandonou o plenário e partiu para a intimidação dos manifestantes, gritando e proferindo ameaças de agressão física. Logo após a abertura da sessão, um manifestante foi agredido covarde e gratuitamente por Alexandre da Silva, autoproclamado presidente do PP e irmão do vereador Nardeli da Silva (PV). O próprio Nardeli, descaradamente antidemocrático, em discurso na tribuna, afirmou que os manifestantes estavam “atrapalhando o trabalho” dos vereadores, e que não deveriam reclamar na Câmara, mas no Forum. É necessário dizer que os únicos presentes que se manifestavam durante a sessão eram os que aplaudiam as falas de Nardeli. Um destes hostilizou os manifestantes e rasgou nossos cartazes. Terminada a sessão, fizemos uso de nossos direitos e registramos boletim de ocorrência por ameaça e constrangimento ilegal.

Não podemos, diante do ocorrido, nos calar e aceitar esta deplorável situação. Toda a cidade deve tomar conhecimento dos fatos, e exigir de seus representantes um comportamento mais ético e democrático. Neste intuito, convidamos tod@s para um grande protesto:

Passeata contra a corrupção e pela democracia
Da praça da biblioteca até a Câmara Municipal
Dia 25 de julho, às 18h
.

Lembramos que uma manifestação deste porte só tem peso caso reúna um bom número de pessoas. Sugerimos a todos que compareçam e convidem mais cidadãos. Este é um evento pacífico, amplo e democrático: entidades de classe, movimentos estudantis, sindicais e sociais, ONGs, associações de bairro, partidos políticos, enfim, todos, organizados em entidades ou não, são bem vindos, desde que comprometidos com a causa do movimento.

Não tenham medo de se levantar: coletivamente, organizados, temos força para pressionar autoridades e combater a perseguição política – recurso covarde típico dos mais desprezíveis políticos. Lembrem-se que ditadores assassinos, antes considerados intocáveis, foram e estão sendo depostos pelo povo na rua nos países árabes (Egito, Tunísia, Líbia, Iêmen, Barein, Síria). A juventude está mobilizada também na Europa (Grécia, Espanha, Portugal) e sairá vitoriosa!

Deixo aqui alguns links para mais informações.

Evento no Facebook
http://www.facebook.com/event.php?eid=140611479353721

Tribunal de Contas do Estado de SP – portal da transparência – despesas da Câmara Municipal de Lençóis Paulista:
http://www.portaldocidadao.tce.sp.gov.br/despesas/Len%C3%A7%C3%B3is%20Paulista/C%C3%82MARA%20MUNICIPAL%20DE%20LEN%C3%87%C3%93IS%20PAULISTA/2011/despesas
Quem tiver paciência pra olhar os lançamentos, ficará muito curioso pra entender alguns, no mínimo.

Câmara Municipal de LP – curiosamente fora do ar no momento que escrevo esta mensagem – normalmente, podemos assistir às gravações das sessões por aqui.
http://www.camaralencois.sp.gov.br/

Video do PSOL – Lençóis Paulista sobre a última sessão e chamando pra manifestação:
http://www.youtube.com/watch?v=uB7eaqfUbDo

Entrevista com Eduardo Galeano, escritor uruguaio, sobre as manifestações na Espanha.
http://www.youtube.com/watch?v=mdY64TdriJk&feature=player_embedded

“Se o presente é de luta, o futuro nos pertence!”

Favor divulgar a todos.

Rodolfo Pelegrin
Professor e militante do PSOL

Vídeo: Câmara Municipal de LP: a mobilização continua

Mais um vídeo do PSOL-LP sobre a crise na Câmara.

Vídeo: A crise na Câmara Municipal de Lençóis Paulista

Vídeo feito por militantes do PSOL sobre as denúncias que recaem sobre a Câmara Municipal de LP.

As lições do caso Palocci

Publicado no jornal O Eco (Lençóis Paulista), em 11 de junho de 2011

Os negócios milionários e suspeitos de Antonio Palocci, que vieram a público nas últimas semanas, não chegam a ser novidade para quem acompanha o atual método de trabalho petista, bem como suas finalidades. Mesmo assim, os fatos revelados e o contexto em que vieram à tona merecem uma análise.

A empresa de consultoria de Palocci faturou em 2010, ano de eleição presidencial, cerca de 20 milhões de reais. Palocci era homem forte na campanha de Dilma. Destes, cerca de 10 milhões depois de eleita Dilma Rouseff, e escolhido Antonio Palocci para coordenar a transição de governo – portanto conhecedor dos planos governamentais para os próximos anos. O patrimônio do ex ministro teria se multiplicado por 20 nos anos que passou como deputado federal.

Negando-se a apresentar os contratos firmados e os serviços oferecidos a grandes empresas, Palocci permite que algumas possibilidades passem pela cabeça de seus críticos. Visto que algumas empresas dependem especialmente de regras e relações com o governo para garantir seus lucros, e outras sofreram investigação por órgãos públicos – caso entre Banco Santander, cliente de Palocci, e a Receita Federal – fica fácil imaginar que Palocci vendia informações privilegiadas e intercedia em favor delas no governo – chamamos isso de tráfico de influência.

A coincidência entre o alto faturamento e o ano de eleição também permite outra suposição: a empresa de Palocci poderia receber doações ocultas de empresas para a campanha presidencial de Dilma. Talvez por isto alguns o comparem com Delúbio Soares.

Como o ex-ministro se recusa a mostrar os documentos que provariam estas teses ou o contrário, podemos apenas imaginar. Como também já foram atingidos os objetivos do grupo que deflagrou as denúncias, fica tudo por isso mesmo. Melhor até parar as investigações por aí – afinal, se essas coisas acontecem, dificilmente aconteceriam apenas nos governos do PT, e provavelmente seriam práticas comuns na política brasileira.

Quais seriam, então, os objetivos de quem derrubou Palocci? Além de enfraquecer o governo Dilma, o escândalo empurrou o PT para o colo dos interesses conservadores no congresso, enquanto ainda tentava salvar seu ministro e a própria moral do governo. Não que o PT se importe muito com isto: estes grupos já são muito bem representados e privilegiados nos governos petistas, mas sempre querem mais. E deram a desculpa que faltava para que o PT apoiasse as mudanças no código florestal (assunto que imediatamente caiu para o segundo plano) – todas elas para permitir mais desmatamento, diga-se de passagem. Fizeram também Dilma engavetar o kit anti-homofobia, uma proposta no mínimo digna, em um país onde milhares são assassinados e torturados pelos que praticam este tipo de discriminação.

Escândalos escancaram a realidade da política brasileira. Mostram como supostos homens públicos, na verdade, representam interesses privados. E servem também para tirar o foco de debates centrais em pauta no congresso. Antes, é claro, de virarem pizza e caírem no esquecimento, até que o próximo apareça.

 

Desenvolvimento a Ferro e Fogo

Vídeo do Ibase – http://www.ibase.br/ Sobre a TKCSA – Companhia Siderúrgica do Atlântico, propriedade da Thyssenkrupp, e financiada pelo BNDES. Os danos à saúde e ao meio ambiente no RJ são imensos.

Contaminação da água em Lençóis Paulista

Na noite de ontem (segunda 9/5), ocorreu na Câmara Municipal de Lençóis Paulista uma audiência pública, parte do processo de elaboração de um plano de sustentabilidade e saneamento básico. Este plano prevê controle social, que deve ser feito por todos, até porque envolve investimentos na casa de 150 milhões de reais. Comparecemos a esta audiência Paulinho Rodrigues, Henrique Sá e eu, militantes do PSOL. O vídeo da sessão está disponível neste link. Este texto é um relato da atividade, e também um chamado à ação.

Foi apresentado um relatório sobre a situação do saneamento básico e dos recursos hídricos que o sustentam, pelo engenheiro contratado para elaborá-lo, Julio Perroni. O diagnóstico foi cuidadosamente confeccionado, com muita coerência aos dados fornecidos pelo Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica [conheça aqui], e apresenta informações importantes e também preocupantes sobre a questão. Certos pontos chamaram a atenção, alguns deles por omissão.

Perroni demonstrou grande conhecimento do tema. Indicou a falta de cobertura vegetal nativa como um grande problema, e o mau planejamento urbano como fator que compromete a qualidade e disponibilidade da água. Informou que as perdas no sistema da cidade são da ordem de 48% hoje. Indicou que a LWARCEL – fábrica de celulose de propriedade da familia Trecenti, da qual faz parte o atual vice-prefeito -  faz grande captação de água via poço, o que rebaixa o lençol e, além de reduzir o estoque de água, acarreta maiores custos para bombeamento no futuro.

Passou pelas propostas, onde se encontrava uma em especial, prevendo uma taxa que comporia um fundo para recuperação do sistema hídrico. Indicou que a medição das APPs não é feita corretamente, pois conta-se do rio, e não das extremidades da largura máxima de seu leito na cheia. Propôs incentivos para agricultura permanente e uso de técnicas de consórcio florestal, etc. Apresentou também um série de soluções técnicas – para as construções urbanas – que, apesar de interessantes, não vem sendo utilizadas nem incentivadas pela prefeitura, e fez uma crítica severa à forma como hoje são projetados e construídos os loteamentos (visando a venda do maior número possível de terrenos, criando bairros comparáveis a guetos, e sem a menor preocupação ambiental), com autorização do executivo local.

Da proposta consta a possibilidade de substituir a atual ETA (estação de tratamento de água, localizada na rua XV), para evitar os prejuízos causados pelas enchentes (sinal claro de que elas devem continuar acontecendo). Duas alternativas principais foram lançadas: uma nova ETA no Jd. Ubirama, ou uma série de novos poços, com destaque a uma bateria deles na mata entre o Ubirama e a Facol. Mas indicou que, segundo as projeções de crescimento populacional, considerando que o Rio Lençóis mantenha sua vazão, o perímetro urbano teria volume de água mais que suficiente daqui a 20 anos apenas reduzindo as perdas do sistema.

Quando abriram para perguntas, rapidamente nos adiantamos e fizemos os primeiros questionamentos. Entre eles:
- Por que o foco na questão domiciliar, se agricultura e a indústria consomem 0,55 dos 0,57 m3 de água captados por segundo no município?
- Já que a LWARCEL consome o estoque de água e aumenta o custo de captação, ela não tem que pagar?
- Se é pra promover e investir em uma agricultura diversificada e de baixo impacto, por que não cumprir a lei e fazer reforma agrária nas terras públicas do município, que somam 14% de sua área total?
- Não é absurdo que o contribuinte pague para compensar os impactos das empresas, através de mais taxas?
- Principalmente, por que a questão dos contaminantes da água, em especial os agrotóxicos e a vinhaça, não foi tratada neste relatório?

É necessário dizer que nenhum dos argumentos colocados por nós foi rebatido pelo engenheiro. 

De início, ele deslocou a questão, dizendo que estava falando só de abastecimento urbano, e que tem questões que fogem ao âmbito municipal. Disse que há muito tempo se discute cobrança pelo uso da água, mas ela nunca ocorreu, e que deve ocorrer no futuro, sabe-se lá quando. Defendeu que o governo pague compensações para quem preservar em suas terras (absurdo, pagar para que aquele que lucra com a destruição cumpra com as leis). De falar sobre a reforma agrária ele nem passou perto.

O mais importante que ele disse, não sem se contradizer posteriormente, foi que os agrotóxicos e a vinhaça não são problema aqui, dada a existência de uma camada basáltica protegendo o aquífero. Mais séria, entretanto, foi sua declaração que veio a seguir: contaminação de lençol freático, em Lençóis Paulista, ocorre em apenas 2 pontos: IQB (empresa situada no distrito industrial e que há anos leva a fama de contaminadora) e LWARCEL. Quem assistir ao vídeo verá que a afirmação do eng. é inequívoca: são 2 casos de contaminação.

Marise – ex-prefeito e atual diretor do SAAE – pediu a palavra, e disse que a contaminação de uma empresa (IQB) teria sido detectada no terreno da outra, eximindo a LWARCEL de responsabilidade sobre o passivo ambiental. Se ofereceu para receber qualquer cidadão que queira saber mais sobre o tema, e vamos tratar desta oferta mais à frente.

Outros cidadãos presentes questionaram a apresentação.Um deles perguntou por que a prefeitura não usa uma sequer das soluções técnicas apresentadas em suas obras – e ouviu da responsável pelo planejamento urbano que ela “tinha ido fazer um curso em são paulo” e que ia começar a usar estas técnicas. Outro questionou o plano de furar novos poços na cidade, já que isto compromete os estoques futuros. Neste caso, o engenheiro disse que o mais inteligente é proteger os recursos hídricos superficiais (rios, córregos), do que comprometer a água do subsolo, que será necessária para as próximas gerações. De forma intrigante, Marise disse logo na sequência que está furando poços e vai furar mais… Ou seja, usaremos cada vez mais água mineral para dar descarga no banheiro. Vale a pena lembrar que durante a apresentação, ficou evidenciado que, combatendo os desperdícios do sistema, poderíamos passar mais de 20 anos utilizando as mesmas fontes de hoje, sem risco algum de desabastecimento! Mesmo assim, Marise está investindo grandes somas na perfuração de novos poços. No decorrer da resposta do engenheiro, ele reconheceu também que os agrotóxicos são um grande problema, que há substâncias cancerígenas nos suprimentos de água, e que não são feitos devidamente as análises para detectar estas substâncias.

Devemos ressaltar, a partir do ocorrido, que: (1) Soluções aparentemente técnicas escondem propostas políticas, e encobrem interesses privados; (2) A participação nestes processos é necessária, inclusive para fiscalizar a aplicação de milhões de reais provenientes de nossos impostos, e pode gerar um ganho qualitativo para a sociedade; (3) O boato de que a fama da IQB serve para encobrir contaminação de importantes empresas lençoenses pode corresponder à realidade.

Ao menos uma ação de grande importância deve ser realizada a partir desta audiência: reunião de um grande grupo de cidadãos, com o intuito de exigir o mais rápido possível explicações do Marise, diretor do SAAE, sobre a questão da contaminação da água! Publicizar os fatos dos quais temos conhecimento também é, a partir de agora, tarefa de todos!

Lembro que os fatos aqui relatados foram registrados em vídeo (que pode ser conferido clicando aqui), e, esperamos, logo devem estar à disposição dos cidadãos. Nossa participação ocorre a partir de 1h04min do vídeo. Em breve divulgaremos uma versão em que seja mais fácil ouvir nossa participação.

Nossa luta não pode se restringir à água: contaminantes agrícolas e industriais estão presentes no solo, no ar e nos alimentos, frequentemente tirando de todos o direito à plena saúde, e por vezes até a vida. O PSOL-LP vai fazer esta luta, e espera contar com o apoio da juventude lençoense.

Este texto também será publicado em www.paulinho50lp.wordpress.com.

Link – Vídeo – Plano Municipal de Saneamento

Assista AQUI à gravação em vídeo da audiência pública sobre o Plano Municipal de Saneamento.

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